Conservação da Flora

Mãos humanas cuidando do plantio de uma muda verde em solo fértil.

Proporcionar um equilíbrio sustentável entre o desenvolvimento dos municípios e a conservação dos ecossistemas naturais é um compromisso da Cemig.

A Companhia atua de forma ativa por meio de programas e projetos voltados à recuperação e à recomposição da flora, bem como ao manejo e à gestão da arborização urbana.

Com uma forte preocupação ambiental, a Cemig desenvolve iniciativas que garantem a preservação da vegetação nativa, contribuindo para a manutenção da biodiversidade e para a qualidade de vida da população.

Compensação Florestal 

A formação de grandes reservatórios de usinas hidrelétricas altera significativamente a paisagem, podendo eliminar extensas áreas de vegetação nas porções alagadas. Além disso, a implantação e a manutenção de outras estruturas relacionadas à geração, transmissão e distribuição de energia podem exigir a supressão de vegetação.

Para reduzir esses impactos, a Cemig investe na implantação, recuperação e conservação da vegetação nativa.

Em parceria com universidades, a empresa conduz pesquisas que orientam seus programas ambientais e desenvolve novas tecnologias para aprimorar a restauração ecológica das áreas e compensar os danos ambientais à flora.

Desde 2020, são estabelecidas metas bienais de plantio, manutenção e regularização fundiária para compensar e mitigar os impactos causados por empreendimentos da Cemig Geração e Transmissão S.A. e da Cemig Distribuição S.A., garantindo um compromisso contínuo com a preservação ambiental.

Unidades de Conservação

As Unidades de Conservação (UCs) são áreas protegidas com o objetivo de preservar e conservar a natureza. A Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) e estabeleceu os critérios e as diretrizes para a criação, a implementação e a gestão dessas áreas. 

As Unidades de Conservação são classificadas em dois grupos principais: Proteção Integral e Uso Sustentável. Este último concilia a conservação ambiental com atividades de uso sustentável, garantindo a proteção dos ecossistemas sem comprometer seu equilíbrio ecológico.

Entre as Unidades de Uso Sustentável, destaca-se a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), categoria de área protegida privada cujo compromisso de preservação, registrado em cartório de Registro de Imóveis, é perpétuo.

A Cemig mantém três RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural) no estado de Minas Gerais, nas quais são permitidas pesquisas científicas e visitação com fins turísticos, recreativos e educacionais, conforme previsto no Plano de Manejo de cada unidade:

  • RPPN Coronel Domiciano: situada na região Sul do estado; 
  • RPPN Galheiro: localizada no Triângulo Mineiro; 
  • RPPN Fartura: localizada no Norte de Minas, na região do Vale do Jequitinhonha.

Além dessas unidades, a Cemig mantém a Estação Ambiental de Itutinga, onde são produzidas mudas de espécies nativas, doadas para projetos ou utilizadas em ações da própria empresa.

A RPPN Usina Coronel Domiciano está localizada nos municípios mineiros de Muriaé e Rosário da Limeira, na região da Zona da Mata, e foi criada em 2000, por meio da Portaria nº 18 do Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF). 

Inserida no bioma Mata Atlântica, a reserva possui 263,56 hectares, que desempenham um papel fundamental na conservação da biodiversidade, protegendo espécies nativas da fauna e da flora e contribuindo para a manutenção dos ecossistemas naturais da região.

O Plano de Manejo da RPPN Usina Coronel Domiciano, aprovado pelo IEF em 2021, estabelece diretrizes para a preservação da área por meio da execução dos seguintes programas:

  • Programa de Proteção: voltado ao monitoramento e ao controle ambiental da reserva;
  • Programa de Educação Ambiental e Visitação: com foco na sensibilização da comunidade e na promoção de atividades educativas;
  • Programa de Recuperação de Áreas Alteradas: direcionado à restauração de ecossistemas degradados;
  • Programa de Pesquisa Científica: voltado ao incentivo de estudos e levantamentos sobre a biodiversidade local.

A RPPN Galheiro foi criada em 1995, por meio da Portaria nº 73-N do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Localizada no município de Perdizes, em Minas Gerais, a reserva abriga um mosaico de fitofisionomias do Cerrado, incluindo savana florestada, savana arborizada e matas de galeria, o que a torna uma área de grande importância biológica. 

Com 2.718,53 hectares, a RPPN preserva um valioso patrimônio vegetal para o Triângulo Mineiro e para o Brasil. Até o momento, já foram catalogadas mais de 1.200 espécies vegetais, pertencentes a 148 famílias botânicas. 

A unidade conta com um Plano de Manejo, atualizado pela Cemig em 2022, no qual são desenvolvidas iniciativas voltadas à educação ambiental e ao estímulo à pesquisa científica. Entre essas ações estão a sinalização educativa com placas de impacto visual para visitantes, a coleta seletiva e a manutenção de alojamentos para a recepção de estudantes e pesquisadores.

No município de Capelinha (MG), a Cemig mantém a RPPN Fartura, uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável que abrange uma área de 1.455 hectares. A reserva foi oficialmente criada em 2009, por meio da Portaria nº 189 do Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais (IEF), consolidando sua destinação perpétua como área de proteção ambiental. 

Durante o processo de licenciamento ambiental da Usina Hidrelétrica Irapé (Usina Presidente Juscelino Kubitschek), a Cemig adquiriu a Fazenda Fartura, localizada em Capelinha, que abrigava um importante remanescente de Mata Atlântica. 

Diante da significativa biodiversidade da área e de sua posição estratégica em uma zona de transição entre os biomas Mata Atlântica e Cerrado, foi firmado um acordo com o IEF para transformar o local em reserva, dando origem à RPPN Fartura.

Além de atuar na conservação da biodiversidade, a Cemig desenvolve na RPPN Fartura iniciativas no âmbito do Programa de Educação Ambiental, promovendo a conscientização sobre a importância da preservação dos recursos naturais e culturais da unidade e de seu entorno.

O Plano de Manejo da reserva também prevê ações voltadas à proteção da área e à prevenção de incêndios, atividades que seguem sendo conduzidas pela Cemig.

Um levantamento realizado pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), em 2016, identificou na região 278 espécies vegetais, distribuídas entre 144 gêneros e 55 famílias botânicas. A parceria contínua com a UFVJM tem gerado estudos científicos relevantes, contribuindo de forma significativa para o conhecimento e a conservação da flora local.

Projetos de Pesquisa e Desenvolvimento

A Cemig investe continuamente em pesquisas voltadas ao desenvolvimento de estratégias que aprimoram as técnicas de recuperação ambiental e garantem maior eficiência na recomposição e na conservação da vegetação nativa.

Essas pesquisas fornecem suporte técnico aos reflorestamentos e à gestão das RPPNs, permitindo a aplicação de soluções mais eficazes na recuperação de áreas degradadas e na manutenção da biodiversidade.

O P&D 551 – Caracterização de Ecossistemas de Referência e Implantação de Modelos de Recuperação de Áreas Degradadas na RPPN Fartura foi realizado entre 2013 e 2018, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), a Cemig Distribuição S.A. e a Cemig Geração e Transmissão S.A. 

O principal objetivo do projeto foi fornecer informações sobre técnicas e procedimentos para a recuperação de áreas degradadas em diferentes níveis de impacto, além do controle de plantas invasoras na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fartura, localizada em Capelinha (MG).

Para isso, foram estabelecidos parâmetros de referência a partir de remanescentes preservados da RPPN Fartura, gerando informações essenciais para a avaliação de projetos de recuperação ambiental.

Diferentes técnicas e modelos de recomposição da cobertura vegetal foram implantados e testados, possibilitando a identificação das estratégias mais eficazes para a restauração de áreas degradadas dentro da reserva. 

Entre os principais produtos do P&D 551, destacam-se as seguintes publicações:

Além disso, foram geradas informações relevantes sobre ecossistemas de referência da Mata Atlântica em diferentes estágios de conservação. Esses dados poderão ser utilizados na criação de bancos de sementes para apoiar futuros programas de restauração ecológica na região do Alto Jequitinhonha, fortalecendo os esforços de conservação.

Durante a construção da Usina Hidrelétrica Emborcação (UHE), entre 1977 e 1981, uma área de Cerrado no distrito de Pedra Branca, município de Catalão (GO), foi utilizada como área de empréstimo para a extração de argila, material essencial para a construção do barramento da usina.

Após a conclusão das obras, em 1981, a Cemig adotou técnicas de reabilitação ambiental na área, promovendo a estabilização do solo e a implantação de cobertura vegetal.

Com o objetivo de impulsionar a recuperação dessa região, foi desenvolvido o projeto de pesquisa e desenvolvimento P&D 602 – Estratégias para acelerar a sucessão ecológica em áreas degradadas no entorno da UHE Emborcação: serviços ecológicos executados por animais, em favor da restauração ambiental.

Concluído em 2022, o projeto contou com a participação de instituições renomadas, como a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a Universidade de Brasília (UnB) e a Fundação Gorceix, em parceria com a Cemig Geração e Transmissão S.A. (Cemig GT).

O principal objetivo da iniciativa foi propor e testar técnicas inovadoras de recuperação ambiental, com foco na instalação de ilhas de sucessão ecológica, utilizando a fauna local como agente natural de recolonização do ambiente.

A pesquisa foi estruturada em 12 subprojetos, cujos resultados foram consolidados no livro “Estratégias para acelerar a sucessão ecológica em áreas degradadas no entorno da UHE Emborcação”

Os estudos demonstraram a eficácia de diversas metodologias para a recuperação da área, entre as quais se destacam: 

  • Transposição de topsoil: técnica de baixo custo que consiste na realocação da camada superficial do solo, rica em sementes e microrganismos, favorecendo a regeneração natural; 
  • Uso de besouros-do-esterco como dispersores secundários de sementes: estratégia inovadora e eficiente para auxiliar na recomposição da vegetação; 
  • Instalação de poleiros artificiais com atrativos alimentares e abrigos: método eficaz para atrair aves dispersoras de sementes, acelerando a regeneração da flora.

Os resultados desse projeto representam um avanço significativo na restauração de áreas degradadas, especialmente no contexto de empreendimentos hidrelétricos, e reforçam o compromisso da Cemig com o desenvolvimento sustentável e a conservação ambiental.

Anexos