Aneel propõe reajustar tarifa da Cemig com menor índice entre as grandes distribuidoras do país 

8 de outubro de 2026

Caso proposta seja aprovada, impacto do reajuste será percebido pelos clientes de forma gradual, a partir das faturas emitidas em junho, com vencimento em julho de 2026

A Cemig esclarece que o resultado do processo de reajuste tarifário anual da companhia ainda será deliberado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na próxima terça-feira (26/5). Até o momento, não há definição oficial sobre os percentuais que serão aplicados aos clientes da distribuidora. 

A companhia informa, no entanto, que a Aneel já disponibilizou em seu portal, na última quinta-feira (21/5), a proposta apresentada pelo relator do processo, documento que serve de base para discussão durante a reunião deliberativa do órgão regulador. 

Na proposta preliminar, a Aneel definiu o reajuste de 5,2% da tarifa dos clientes residenciais da Cemig Distribuição. A proposta de reajuste será apreciada na próxima terça-feira (26/5), durante o 8º Circuito Deliberativo realizado pelo órgão regulador do setor elétrico em Brasília.  

O percentual da Cemig é o menor entre as grandes distribuidoras do Brasil. Empresas de distribuição de energia do Rio de Janeiro e de São Paulo tiveram aumentos anunciados em 2026 que superaram os 10%. 

O efeito médio será de 6,5% para todos as classes de clientes da Cemig Distribuição, que possui atualmente cerca de 9,5 milhões de clientes. Entre os fatores que mais influenciaram o reajuste deste ano está o impacto das despesas de geração de energia ao longo do ano. Outro destaque é o crescimento dos incentivos à Geração Distribuída (GD), principalmente à energia solar. 

O gerente de Regulação de Distribuição da Cemig, Giordano Bruno Braz de Pinho Matos, explica a dinâmica do modelo tarifário brasileiro e o papel das distribuidoras nesse processo. 

“As distribuidoras são o elo direto com o cliente e têm uma função central no equilíbrio financeiro do setor. É por meio das faturas de energia que esses recursos são arrecadados e destinados a toda a cadeia elétrica, incluindo geradoras, transmissoras, encargos setoriais e tributos definidos pelos governos municipal, estadual e federal”, explica. 

Segundo o especialista, o impacto do reajuste será percebido pelos clientes da Cemig de forma gradual, a partir das faturas emitidas em junho, com vencimento em julho de 2026.  

“Na prática, a conta pode trazer valores proporcionais: parte do consumo ainda calculada pela tarifa anterior, referente ao período até 28 de maio, e o restante já com a nova tarifa”, esclarece.  

De acordo com a proposta preliminar da Aneel, na conta de luz dos mineiros, a Cemig Distribuição é responsável por apenas 27,5% que se destinam a remunerar o investimento, cobrir a depreciação dos ativos e outros custos. Os demais 72,5% são utilizados para cobrir encargos setoriais (18%), tributos pagos aos Governos Federal e Estadual (21%), energia comprada (23%), encargos de transmissão (10%) e receitas irrecuperáveis (0,5%).  

Os impostos arrecadados na fatura de energia, como taxa de iluminação pública, ICMS, PIS e Cofins são repassados integralmente para as prefeituras, além dos governos Estadual e Federal, respectivamente. 

Subsídios pressionam o valor da energia 

No início do mês passado, o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, destacou que os subsídios do setor elétrico já representam cerca de 20% da conta de energia paga pelos brasileiros. Na prática, em uma conta de R$ 100, aproximadamente R$ 20 correspondem ao financiamento de incentivos, benefícios tarifários e políticas públicas do setor. Somente em 2025, os subsídios custaram cerca de R$ 53 bilhões aos consumidores brasileiros. 

Um dos principais fatores de crescimento está relacionado à Geração Distribuída (GD), especialmente sistemas solares incentivados. Dados do setor apontam que os recursos destinados a esse segmento passaram de aproximadamente R$ 3,7 bilhões para R$ 6,9 bilhões, crescimento de 87,4% em apenas um ano. 

Subsídios em Minas Gerais

Em Minas Gerais, o impacto também chama atenção. De acordo com dados do Subsidiômetro da Aneel, 21,14% do valor da última conta dos clientes da Cemig Distribuição foi destinado ao pagamento de subsídios para outros consumidores. 

Somente em 2025, os clientes da companhia contribuíram com aproximadamente R$ 4,2 bilhões, aumento de 20% em relação ao ano anterior, quando o montante foi de R$ 3,5 bilhões. 

Em 2026, os mineiros já acumularam cerca de R$ 1,1 bilhão em subsídios pagos por meio da tarifa. Desse total, aproximadamente 79% são destinados ao financiamento da geração distribuída e fontes incentivadas, especialmente a energia solar. 

A Tarifa Social de Energia Elétrica, que beneficia mais de 1 milhão de famílias de baixa renda, representa pouco mais de 12%, enquanto incentivos para irrigação correspondem a cerca de 8%. 

A imagem mostra três bandeiras hasteadas em frente a um prédio moderno e alto, com fachada composta por uma grade de janelas. As bandeiras são: a nacional do Brasil, uma branca com o logotipo "CEMIG" em verde e amarelo, e outra branca com um triângulo vermelho e texto em preto que diz "Estado de Minas Gerais". O cenário sugere um ambiente corporativo ou institucional ligado à CEMIG, empresa de energia elétrica de Minas Gerais. Na parte inferior da imagem, aparecem folhas de palmeira, reforçando a atmosfera tropical ou subtropical do local.
Créditos da foto:  Cemig divulgação

Proposta de reajuste será apreciada na próxima terça-feira (26/5), durante o 8º Circuito Deliberativo realizado pelo órgão regulador do setor elétrico em Brasília.