Aneel propõe reajustar tarifa da Cemig com menor índice entre as grandes distribuidoras do país
22 de maio de 2026
Caso proposta seja aprovada, impacto do reajuste será percebido pelos clientes de forma gradual, a partir das faturas emitidas em junho, com vencimento em julho de 2026
A Cemig esclarece que o resultado do processo de reajuste tarifário anual da companhia ainda será deliberado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na próxima terça-feira (26/5). Até o momento, não há definição oficial sobre os percentuais que serão aplicados aos clientes da distribuidora.
A companhia informa, no entanto, que a Aneel já disponibilizou em seu portal, na última quinta-feira (21/5), a proposta apresentada pelo relator do processo, documento que serve de base para discussão durante a reunião deliberativa do órgão regulador.
Na proposta preliminar, a Aneel definiu o reajuste de 5,2% da tarifa dos clientes residenciais da Cemig Distribuição. A proposta de reajuste será apreciada na próxima terça-feira (26/5), durante o 8º Circuito Deliberativo realizado pelo órgão regulador do setor elétrico em Brasília.
O percentual da Cemig é o menor entre as grandes distribuidoras do Brasil. Empresas de distribuição de energia do Rio de Janeiro e de São Paulo tiveram aumentos anunciados em 2026 que superaram os 10%.
O efeito médio será de 6,5% para todos as classes de clientes da Cemig Distribuição, que possui atualmente cerca de 9,5 milhões de clientes. Entre os fatores que mais influenciaram o reajuste deste ano está o impacto das despesas de geração de energia ao longo do ano. Outro destaque é o crescimento dos incentivos à Geração Distribuída (GD), principalmente à energia solar.
O gerente de Regulação de Distribuição da Cemig, Giordano Bruno Braz de Pinho Matos, explica a dinâmica do modelo tarifário brasileiro e o papel das distribuidoras nesse processo.
“As distribuidoras são o elo direto com o cliente e têm uma função central no equilíbrio financeiro do setor. É por meio das faturas de energia que esses recursos são arrecadados e destinados a toda a cadeia elétrica, incluindo geradoras, transmissoras, encargos setoriais e tributos definidos pelos governos municipal, estadual e federal”, explica.
Segundo o especialista, o impacto do reajuste será percebido pelos clientes da Cemig de forma gradual, a partir das faturas emitidas em junho, com vencimento em julho de 2026.
“Na prática, a conta pode trazer valores proporcionais: parte do consumo ainda calculada pela tarifa anterior, referente ao período até 28 de maio, e o restante já com a nova tarifa”, esclarece.
De acordo com a proposta preliminar da Aneel, na conta de luz dos mineiros, a Cemig Distribuição é responsável por apenas 27,5% que se destinam a remunerar o investimento, cobrir a depreciação dos ativos e outros custos. Os demais 72,5% são utilizados para cobrir encargos setoriais (18%), tributos pagos aos Governos Federal e Estadual (21%), energia comprada (23%), encargos de transmissão (10%) e receitas irrecuperáveis (0,5%).
Os impostos arrecadados na fatura de energia, como taxa de iluminação pública, ICMS, PIS e Cofins são repassados integralmente para as prefeituras, além dos governos Estadual e Federal, respectivamente.
Subsídios pressionam o valor da energia
No início do mês passado, o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, destacou que os subsídios do setor elétrico já representam cerca de 20% da conta de energia paga pelos brasileiros. Na prática, em uma conta de R$ 100, aproximadamente R$ 20 correspondem ao financiamento de incentivos, benefícios tarifários e políticas públicas do setor. Somente em 2025, os subsídios custaram cerca de R$ 53 bilhões aos consumidores brasileiros.
Um dos principais fatores de crescimento está relacionado à Geração Distribuída (GD), especialmente sistemas solares incentivados. Dados do setor apontam que os recursos destinados a esse segmento passaram de aproximadamente R$ 3,7 bilhões para R$ 6,9 bilhões, crescimento de 87,4% em apenas um ano.
Subsídios em Minas Gerais
Em Minas Gerais, o impacto também chama atenção. De acordo com dados do Subsidiômetro da Aneel, 21,14% do valor da última conta dos clientes da Cemig Distribuição foi destinado ao pagamento de subsídios para outros consumidores.
Somente em 2025, os clientes da companhia contribuíram com aproximadamente R$ 4,2 bilhões, aumento de 20% em relação ao ano anterior, quando o montante foi de R$ 3,5 bilhões.
Em 2026, os mineiros já acumularam cerca de R$ 1,1 bilhão em subsídios pagos por meio da tarifa. Desse total, aproximadamente 79% são destinados ao financiamento da geração distribuída e fontes incentivadas, especialmente a energia solar.
A Tarifa Social de Energia Elétrica, que beneficia mais de 1 milhão de famílias de baixa renda, representa pouco mais de 12%, enquanto incentivos para irrigação correspondem a cerca de 8%.


Proposta de reajuste será apreciada na próxima terça-feira (26/5), durante o 8º Circuito Deliberativo realizado pelo órgão regulador do setor elétrico em Brasília.

