17/10/2011
Há mais de dez anos, o mexilhão dourado é motivo de atenção nas usinas hidrelétricas localizadas na Bacia Paraná-Paraguai. O molusco compromete os sistemas que utilizam água bruta no processo de produção de energia elétrica. O mexilhão invade, ainda em forma de larva, as tubulações por onde passa a água e lá se fixa. Na fase adulta, obstrui as tubulações podendo causar superaquecimento nas máquinas.
Em setembro, a Cemig detectou pela primeira vez a presença do mexilhão dourado na Usina Volta Grande, localizada no Rio Grande, região do Triângulo Mineiro. A descoberta da espécie invasora na usina ocorreu durante a parada para manutenção programada de uma das máquinas. O molusco está sendo monitorado e não ameaça o funcionamento da hidrelétrica.
Segundo a analista de meio ambiente da Cemig, Marcela David de Carvalho, o mexilhão dourado se reproduz rapidamente, não possui predador natural e compete na alimentação com algumas espécies nativas de moluscos. Originária do Sudeste Asiático, a espécie Limnoperna fortunei chegou à América do Sul, em 1991, pelo porto de Buenos Aires, por meio das águas de lastro dos navios, e se disseminou a partir do Rio da Prata.
Com o intuito de esclarecer a população próxima à Usina Volta Grande sobre a operação do reservatório e questões relacionadas ao mexilhão dourado, a Cemig irá realizar, no dia 20 de outubro (quinta-feira), o Plano de Integração. O objetivo do encontro, que acontece desde 2005, é buscar uma aproximação da Empresa com as comunidades das áreas de influência das usinas.
Investimento
Desde 2002, a Cemig realiza pesquisa e promove campanhas de educação socioambiental com o objetivo de impedir a expansão do mexilhão dourado. Ao longo dos anos, a Empresa investiu aproximadamente R$ 10 milhões em estudos sobre o molusco.
“Com base na rota de dispersão, a partir da entrada da espécie invasora pelo Rio da Prata, na Argentina, a Empresa focou suas ações na Bacia do Rio Paranaíba, Sub-bacia do Rio Paraná (hidrovia Tietê - Paraná), especificamente na UHE São Simão, na divisa entre Minas Gerais e Goiás”, explica Marcela Carvalho. Levantamentos recentes, a partir de monitoramentos, mostram que o mexilhão dourado encontra-se estabelecido a 30 quilômetros a jusante de São Simão, desde 2007.
Há quase dez anos, a Companhia realizou seu primeiro projeto de Pesquisa e Desenvolvimento – P&D tendo como um dos focos o mexilhão dourado. O projeto fez parte do programa de P&D da Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel e resultou na publicação de diversos artigos, buscando conhecer a biologia da espécie. Em 2004, a Cemig participou, por meio da Associação Brasileira de Grandes Empresas Geradoras de Energia Elétrica – Abrage, da Força Tarefa Nacional para Controle do Mexilhão, do Ministério do Meio Ambiente.
Conscientização
Campanhas de prevenção do mexilhão dourado são realizadas desde 2004. Em março deste ano, cerca de mil alunos do ensino fundamental de escolas do entorno da Usina São Simão participaram das atividades da campanha anual “Sai pra lá, mexilhão dourado!”. Em fevereiro, os alunos do 3º ao 5º ano do ensino fundamental de colégios da região iniciaram trabalhos interdisciplinares sobre o livro “Que bicho é este? É o mexilhão dourado!”, publicado pela Cemig. Durante a Semana da Água 2011, no município de São Simão (GO), foram apresentados os trabalhos criados pelos alunos e realizadas atividades lúdicas sobre o tema.
Também desde 2004, a Cemig promove um trabalho contínuo de educação socioambiental envolvendo a comunidade ribeirinha que vive à jusante da Usina São Simão. Técnicos da Companhia orientam os pescadores sobre a importância da desinfecção dos barcos e dos equipamentos de pesca. “Um barco infectado com larvas ou adultos pode contaminar outros rios. Diante disso, é fundamental que os barqueiros saibam identificar o mexilhão dourado e tenham o cuidado com a limpeza da embarcação antes de transpor o rio”, explica Marcela Carvalho.
A analista de meio ambiente da Cemig ressalta que todos os investimentos em educação socioambiental e estudos possibilitaram retardar a chegada do mexilhão dourado. “Além disso, operamos nossas usinas durante dez anos sem infestação. Isso nos proporcionou tempo para o preparo, conhecimento sobre a espécie e seu controle dentro das instalações da Empresa.”